NOSSA COPA

   Ao escrever esta matéria, faço uso das palavras de um dos grandes ídolos do futebol brasileiro, o ZICO quando declarou em entrevista a um jornal esportivo italiano: eu queria ver meu povo feliz, pois foi uma grande oportunidade que o Brasil teve em realizar uma grande copa. Concordo plenamente com o Zico, realmente foi uma boa oportunidade, mas não é o que estamos vendo, o que se vê de fato é que, não foi feito um bom planejamento e que ao ganhar a disputa para sediar o mundial, haviam dito que o dinheiro público apenas seria usado para obras de infra estrutura, no entanto, somos testemunhas da quantidade absurda de dinheiro público sendo usado nas construções de estádios, e o pior é que muitos deles depois do mundial serão abandonados, sem uso, sem nenhuma responsabilidade e bom senso pelo gasto público que foi empregado. Na história dos mundiais, nunca se gastou tanto dinheiro público.

   Assim como milhões de brasileiros, eu não sou contra o mundial realizado em nosso país, pelo contrário, é uma honra para nós, mas sou contra o gasto excessivo do dinheiro público, quando existem prioridades maiores para o destino deste dinheiro que é nossos impostos pagos com fruto do nosso suor.

   Segundo informações da imprensa internacional, 25% dos estrangeiros que viriam ao Brasil, já cancelaram sua vinda. Mais uma prova que também não se importaram com o turismo, pois não foi feito investimentos no setor, nem o mínimo, pois haverá meios de trasportes que levarão os turistas aos estádios que nem se quer terão informações em inglês e espanhol. É o cúmulo do absurdo. Estamos a 22 dias do mundial e ainda há estádios em construção, quando tiveram 04 anos para se prepararem.

                                                                                                     Josildo S Neves  

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Uma resposta para “NOSSA COPA

  1. Alguns esclarecimentos sobre as despesas com a Copa, saúde e educação.

    “Ao todo, o plano de investimentos nas cidades-sede da Copa do Mundo do Brasil totaliza R$ 25,6 bilhões (portal da transparência da Copa, http://www.copa2014.gov.br). Cerca de 69% deste total (17,6 bilhões) representam investimentos em infraestrutura e políticas públicas, especialmente em mobilidade urbana (R$ 8,0 bilhões investidos), aeroportos (R$ 6,2 bilhões), segurança (R$ 1,9 bilhão) e portos (R$ 0,6 bilhão). Ou seja, nestes casos a Copa contribuiu diretamente para acelerar investimentos associados ao bem-estar da população, bem como impulsionar a melhoria das políticas públicas. São investimentos, em sua maior parte, que deveriam ocorrer independentemente da Copa, mas que foram por ela antecipados ou acelerados.

    Os outros 31% (R$ 8,0 bilhões) de despesas com o plano de investimentos para a Copa estão sendo destinados à construção e modernização de 12 estádios de futebol nas cidades-sede. Os gastos em estádios não ocorreriam sem a Copa, ao menos na dimensão e na velocidade com que foram feitos. Mas isso não quer dizer que comprometem os investimentos em educação e saúde ou que não tragam benefícios para além do torneio.

    Em primeiro lugar, os gastos com os estádios foram pagos com financiamento do Governo Federal, recursos locais de Estados e Municípios, e recursos privados. No caso do Governo Federal, portanto, não competem com saúde e educação, uma vez que estas políticas são financiadas com recursos do orçamento oriundos de impostos pagos pelos contribuintes, diferentemente dos empréstimos. Ademais, além de não competirem com o orçamento, os empréstimos públicos voltam com juros para o Governo Federal.

    No caso dos Estados e Municípios que destinaram recursos próprios à
    construção/modernização de estádios, como no Rio de Janeiro ou em Brasília, é importante lembrar que por determinação legal, fiscalizada pelos Tribunais de Contas, são obrigados a destinar um percentual mínimo das receitas para educação e saúde; a construção de estádios não altera essa regra. Além disso, estádios como o novo Maracanã e o novo Mineirão, concedidos à iniciativa privada, gerarão receitas públicas ao longo do tempo que devem ressarcir grande parte das despesas com a modernização.

    Por fim, a reforma de estádios, como a do Beira Rio em Porto Alegre, também foi custeada com recursos privados; nestes casos, evidentemente, o investimento não compete com despesas públicas em saúde e educação.

    Em resumo, além de não competirem com os gastos federais em saúde e educação, os investimentos em estádios, quando financiados com recursos públicos locais, não desobrigam Estados e Municípios de manterem e ampliarem suas despesas com educação e saúde.

    Em segundo lugar, é preciso contextualizar melhor o real esforço representado pela modernização de estádios em uma economia de renda média como a brasileira. Não há dúvida de que R$ 8,0 bilhões não é pouco dinheiro, mas, por outro lado, está longe de consistir em esforço acima das capacidades do país. Por exemplo, entre 2010 e 2013, quando as obras para a modernização dos estádios se intensificaram, o produto total brasileiro (PIB) alcançou R$ 18,8 trilhões (segundo o IBGE), ou seja, o custo total dos estádios (R$ 8,0 bilhões) representou o equivalente a 0,04% do PIB do período.

    Outra comparação: considerando apenas os gastos públicos federais com educação e saúde entre 2010 e 2013, a contabilidade pública revela que somaram R$ 825,3 bilhões, ou cerca de 100 vezes o custo dos estádios.

    Por fim, a construção dos novos estádios gerou empregos na construção civil, estimulou o setor nos últimos anos e potencialmente alavanca a chamada indústria do futebol brasileiro. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o potencial de movimentação de recursos ligado ao futebol brasileiro chega a R$ 60,0 bilhões por ano com 2,1 milhões de empregos diretos e indiretos. Os novos estádios são peça chave deste potencial: tomando-se por base o Campeonato Brasileiro de 2013, os novos estádios modernizados atraíram público médio 88% maior do que o dos estádios antigos na mesma competição”.

    Edmundo Fernandes

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