Que Alternativa?

Não é pretensão minha discutir neste livro a complexa ideia do capitalismo ou do socialismo. Não o farei. Seria presunçoso demais de minha parte achar que um professor de matemática do ensino fundamental, com pouquíssima formação teórica sobre história, economia ou sociologia, pudesse questionar aqui os princípios básicos de um dilema tão secular.

No entanto, dentro do processo de rediscussão das condições da sociedade atual e do desejo de encontrar novos caminhos, não podemos prescindir de considerar os erros que mantém a lógica do consumo como referência de vida para a humanidade.

Se não me é possível, portanto, avaliar teoricamente o conjunto das ideias e proposições marxistas sobre o capital, e muito menos as múltiplas facetas do capitalismo mutante, não me parece incorreto, ou mesmo proibido, reconhecer que a sociedade atual persiste no erro de viver para si e não para todos.

Neste caso, o pensamento e a fé cristã, que me são caros pela formação e identidade histórica, é que me garantem o direito de, pelo menos, dialogar sobre o tema.

As consequências dos erros produzidos pela sociedade do consumo estão postas e quanto a elas não há o que questionar.

O escritor, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português, José Saramago, durante entrevista à Folha de São Paulo[1], quando questionado sobre sua opção pelo comunismo, afirmou que o mundo está errado e que alguma coisa deve ser feita para modificá-lo. Um dos retrados dos erros cometidos por este sistema perverso é a fome.

Na tentativa de contribuir com esta discussão e propor alternativas, Leonardo Boff estabelece quatro “erres” no combate à sociedade consumista[2]:

reduzir os objetos de consumo, reutilizar os que já temos usado, reciclar os produtos dando-lhes outro fim e finalmente rejeitar o que é oferecido pelo marketing com fúria ou sutilmente para ser consumido.

Para o teólogo, a fome

é uma constante em todas as sociedades históricas. Hoje, entretanto, ela assume dimensões vergonhosas e simplesmente cruéis. Revela uma humanidade que perdeu a compaixão e a piedade. Erradicar a fome é um imperativo humanístico, ético, social e ambiental. Uma pré-condição mais imediata e possível de ser posta logo em prática é um novo padrão de consumo.

O recifense, Josué de Castro[3], compreende que a “fome é, conforme tantas vezes tenho afirmado, a expressão biológica de males sociológicos”.

Quanto a estas evidências, o Papa João Paulo II, na Carta Encíclica Redemptor hominis[4], de 1979, ratifica a necessidade de se repensar e recriar uma alternativa aos problemas econômicos atuais. O sumo pontífice entendeu que

não será fácil avançar, porém, neste difícil caminho, no caminho da indispensável transformação das estruturas da vida econômica, se não intervier uma verdadeira conversão das mentes, das vontades e dos corações. A tarefa exige a aplicação decidida de homens e de povos livres e solidários.

Portanto, os atuais mecanismos de defesa do capitalismo não estão resolvendo – e não resolverão – o problema milenar e inaceitável da fome.

Em 1993 afirmei que

“[…] a sociedade precisa assumir seus compromissos diante da situação atual. E nesta luta não existe meio termo: ou se discorda da miséria, ou se torna favorável a ela; ou se propõe o início de um novo pensamento socializante, ou continua-se a aplaudir a exclusão social do momento e o consumo supérfluo afrontando as necessidades básicas”. (página 54)

Mesmo considerando que as coisas não estão postas apenas na dualidade entre bom ou ruim; branco ou preto; certo ou errado, não me parece sensato desfazer o que disse no passado. Há momentos em que é necessária uma atitude radical para que as pessoas percebam os caminhos que estão sendo trilhados.

Na opção por este novo caminhar, dois versos do canto religioso “Eu Acredito”, disponível no livro Loas e Lamentos[5], resume um pouco um dos conceitos indispensáveis para a mudança na filosofia econômica: a solidariedade.

Quando os pequenos acreditarem

no seu bem-estar comum,

sentindo a necessidade

que padece em cada um,

unidos em Jesus Cristo

nós todos seremos um.

Em Romanos (14-15) reforçamos esta teoria:

Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.

Mas os passos para a construção desse novo ideário pressupõem muitas reflexões e outras tantas ações. István Mészáros[6], durante entrevista no programa Roda Viva, disse ter plena consciência de que não podemos passar automaticamente desta sociedade para outra que seja viável. Sua tese revela que é preciso encontrar as ligações, os meios que tornem a transformação possível.

Em junho de 2012, durante a realização da Rio+20, vários documentos foram aprovados e que podem estar caminhando nesse sentido. Em um deles, Bruno Pinheiro, Camila Mello e Thiago Alexandre Moraes[7] são objetivos. “Na economia, estão em xeque o uso de combustíveis fósseis e a produção em larga escala. A desigualdade, as mudanças climáticas, o esgotamento da natureza, a mercantilização da vida, a injustiça ambiental são características estruturais desse modelo”, afirmam os escritores.

De forma propositiva, o documento sugere grande responsabilidade da juventude nesse processo de reinterpretação e revisão da lógica de vida no planeta. E sugere:

Os movimentos de juventude são ainda mais importantes porque as transformações profundas que o mundo precisa passam por conflitos internos da geração contemporânea de jovens. O instante atual é chave.

O desemprego é outro enorme desafio para os idealizadores de uma nova sociedade. “Cerca de 73,4 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estão desempregados no mundo”, diz estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho – OIT. Conforme o documento, o “número para 2013 é 3,5 milhões maior em relação a 2007, quando 11,7% dos jovens estavam desempregados, e está perto dos níveis alcançados no pior momento da crise econômica, em 2009”[8].

Não há dúvidas de que o modelo econômico atual não tem respostas para os grandes problemas que parecem se agravar no século XXI. Este diagnóstico, que embora tecnicamente seja complexo, produz efeitos indiscutíveis no nosso dia a dia. O grande problema – e aqui revela-se a responsabilidade de todos – é de como pensar uma economia alternativa.

Durante todo o período de vida e sobrevida das práticas capitalistas, o que ainda resta são nações colonizadas e exploradas. Aqui ratificamos a incapacidade de vir a ser, a liberdade do mercado, a política mais indicada para encontrar soluções para a crise atual.

Se as experiências de regimes socialistas no mundo se fundaram em erros – e graves –, então o caso não é fincar em sua simples negação. Há que repensá-lo, rediscuti-lo, recria-lo e desta vez com as devidas correções.

Sobre os erros do socialismo soviético, Mészáros aponta parte deles, que podem e devem ser analisados na elaboração de uma nova proposta de sistema. Ele revela que

Lenin e os bolcheviques esperavam que a revolução russa fosse seguida por outras revoluções. Acreditavam que o grande atraso da sociedade poderia ser corrigido por estas mesmas sociedades. Neste caso os líderes da revolução acreditavam em algo sobre o que não tinham nenhum controle.

Intelectuais cubanos em histórica discussão sobre “O socialismo no século XXI” e, na busca pela definição dos próximos passos, mantêm um discurso incisivo e crítico contra a lógica capitalista.

Segundo relato de Juan Luis Martín Chávez[9]

os três homens mais ricos do mundo têm um maior rendimento do que os 48 países mais pobres. A humanidade está ameaçada pela degradação ambiental em grande escala. Desertificação ameaça 250 milhões de pessoas, ou um terço da superfície da Terra (4.000 milhões de hectares). Vastas somas são desperdiçados nos braços, enquanto 1,2 bilhão de pessoas vivem no limite da fome. Ele deu o número de armas mundiais totais gastos US $ 1,1 trilhões, com a contabilidade EUA por 48 por cento da produção mundial de armas.

Sob uma guerra ideológica capitalista sistemática, sobretudo capitaneada pelos Estados Unidos, a nação cubana se vê no desafio de encontrar o “meio termo” entre a lógica cruel do acúmulo e o princípio da socialização dos direitos.

Portanto, eis aqui uma primeira ideia: desenvolver uma nova postura diante do planeta pressupõe o conhecimento profundo dos erros praticados em posturas anteriores.

Com os equívocos cometidos nas experiências socialistas, o mundo parece desprovido de alternativas para a sociedade atual. No entanto, não surgirá essa alternativa a qual buscamos se não houver reflexão sobre a necessidade da construção dela. E “ao passo em que se fragmentam os discursos do mundo competitivo, sempre se discute o socialismo como sendo a outra via desse embate”.

É razoável deduzir que o que escrevemos em 1993 parece não estar totalmente errado ou fora de uso. Ao afirmar que “a sociedade precisa assumir seus compromissos diante da situação atual” comungamos com milhões de pessoas no mundo que exigem e acreditam num sistema diferenciado. A sociedade precisa dar forma aos seus anseios e pensamentos; dizer algo; fazer alguma coisa.

O evangelho de Jesus Cristo, quando trata dos Atos dos Apóstolos (4:32-35), nos dá uma pista real da viabilidade de uma sociedade mais justa, onde a utopia encontra reforço nas palavras de Deus. Lá está escrito:

32 E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.

33 E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.

34 Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos.

35 E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.

Este mesmo texto fora, inclusive, citado pelo escritor Ariano Suassuna em artigo publicado na Folha de São Paulo em fevereiro do ano 2000 e disponibilizado no site da Academia Brasileira de Letras[10]. Ariano, com toda autoridade e sabedoria popular que lhe é atribuída mundo a fora, foi mais incisivo:

eu, católico, posso dizer … que Deus, segundo visto por João 23 e por outros que pensam como eu, é cristão, católico e socialista.

Em carta enviada ao primeiro-ministro britânico David Cameron, por ocasião do G8 na Irlanda do Norte (17-18 de junho de 2013), o Papa Francisco  é iluminado ao escrever que

o dinheiro e os outros instrumentos políticos e econômicos devem servir, e não governar, tendo presente que a solidariedade gratuita e abnegada é, de maneira aparentemente paradoxal, a chave do bom funcionamento econômico global.

Portanto, independente da competência ou incapacidade de analisar as economias, sirvo-me de caminho para reafirmar pensamento de Frei Betto quando diz que o

socialismo rima com emancipação humana, soberania nacional e, sobretudo felicidade pessoal, como acentuava Che Guevara. No capitalismo, exalta-se a competitividade e suporta-se a lógica de que a felicidade de uns decorre da infelicidade de muitos. É a vertente ética, enraizada na solidariedade, que torna o socialismo radicalmente diferente.

Se para o dominicano o cenário se mostra evidente, não menos transparente deve ser aos nossos olhos. O necessário, no entanto é que

“estejamos dispostos a assumir nosso papel, nossa tarefa de atuantes incondicionais na luta pela vida partilhada; sair do cômodo eu e, efetivamente, levantar a bandeira da ampliação das lutas e necessidades fundamentais de todos; convir a impossibilidade da permanência na desumana trilha surgida”. (página 16)

Quando escrevi que “desigualdade não é e nunca foi do agrado de Deus e muito menos do pensamento cristão” quis exatamente, com amparo da fé, defender que se o sistema econômico atual sobrevive a partir da conservação e da ampliação das desigualdades, então ele não será capaz de garantir um reino de justiça.

Ainda citando o Papa Francisco e, recorrendo a ele para ampliar o grito dos excluídos, me solidarizo com a igreja quando diz que “falta uma ética humanista em todo mundo. Estamos falando de um problema mundial”.

Em determinado momento, o Papa Francisco recorreu a São Tomaz de Aquino, e relembrou uma fábula de um sábio rabino para evidenciar os erros do descaso com o ser humano. O rabino medieval, do século XII, explicava assim:

Qual era o problema da Torre de Babel? Por que houve o castigo Divino? Para construir a torre era preciso fabricar os tijolos. Usar o barro, cortar a palha, amassá-lo, secá-los, colocá-los no forno e depois levá-los ao alto da torre para ir construindo. Se caía um tijolo era uma catástrofe nacional. Se caía um operário nada acontecia.

Hoje há crianças que não têm o que comer no mundo. Crianças que morrem de fome, de desnutrição. Há doentes que não têm acesso a tratamento. Homens e mulheres que são mendigos de rua e morrem de frio no inverno. Há crianças que não têm educação. Nada disso é notícia. Mas quando as bolsas de algumas capitais caem 3 ou 4 pontos, isso é tratado como uma grande catástrofe. Entende? Este é o drama do humanismo desumano que estamos vivendo.

No texto “Marxismo e natureza humana”, Valério Arcary[11] explica que muitos dos seguidores do liberalismo sempre buscavam – e ainda buscam – justificar a desigualdade social como fenômeno decorrente da natureza humana. Uma explicação científica para o ditado popular que reflete a ideia de que as coisas estão assim porque Deus quer.

Ele descreve:

A rivalidade entre os homens e a disputa pela riqueza seriam um destino incontornável. Um impulso egoísta ou uma atitude comodista, uma ambição insaciável ou uma avareza incorrigível definiriam a nossa condição. Eis o fatalismo: o individualismo seria, finalmente, a essência da natureza humana. E a organização política e social deveria se adequar à imperfeição humana. E resignar-se.

Uma humanidade dominada pela mesquinhez, pela ferocidade, ou pelo medo precisaria de uma ordem política disciplinada, portanto, repressiva, que organizasse os limites de suas lutas internas como uma forma de “redução de danos”.

Resumindo e sendo brutal: o direito ao enriquecimento seria a recompensa dos mais empreendedores, ou mais corajosos, ou mais capazes e seus herdeiros. A propriedade privada não seria a causa da desigualdade, mas uma consequência da desigualdade natural.

E não são poucos os que pactuam dessa lógica. Existem pessoas que trabalham manhã, tarde e noite e continuariam pela madrugada se assim fossem capazes de acumular mais dinheiro. Nestes casos, a família é secundarizada e o supérfluo se sobrepõe ao necessário.

Nesse diapasão, a maldade seria consequência do individualismo e indiferença “natural” dos seres humanos. Sei que existem pessoas que tocam fogo em seus semelhantes e que comemoram tal atrocidade; que no mundo inteiro, mães são capazes de jogar crianças recém-nascidas no lixo; que muitos não suportam ver o sucesso dos outros e que, por conta disso, alimentam a inveja, um dos pecados capitais; que a maldade é parte deste mundo e que isto não é um fenômeno contemporâneo.

Mas tudo isso não faz parte do senso comum. Nenhum dos fatos aqui narrados são vistos e recebidos de forma tranquila. Muitos se revelam contrários, se indignam, protestam diante de atitudes como as que descrevemos. Isso mostra que o mau não é aceito pela maioria dos seres humanos. E também essa lógica é defendida por muitos.

Acredito, inclusive, que o ser humano como natureza do bem, pode ser compreendido por você, que alcançou a leitura deste capítulo. E, para os cristãos, o argumento é bem simples: se de fato acreditamos que Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, e que a natureza de Deus é bondade, por que haveria de ser o homem diferente? Discordar disso é, por consequência, discordar da existência do próprio Deus.

Se é verdade que a maldade existe e é praticada por muitos, não é menos verdade que a solidariedade de outros busca impedir o sofrimento e comprova a natureza bondosa do ser humano. Se é verdade que milhares de capitalistas do mundo buscam desenfreadamente o acúmulo de suas posses, também não é menos verdade afirmar que cidadãos do mesmo mundo se doam para ajudar os outros sem pensar na recompensa material.

Rafael Azzi, em seu texto “O mito do capital natural”[12], ao tratar dos chamados neurônios-espelhos, afirma que

eles tornam fluida a fronteira entre nós e os outros; são a origem da empatia, que é a capacidade de nos colocar no lugar de outra pessoa. Pode-se dizer que, ao observar alguém sorrindo, imediatamente nos sentimos impelidos a sorrir também. Quando percebemos alguém que está em uma situação que causa dor, a reação natural é partilhar o sentimento de dor alheia.

Entendo que essa natureza do bem tem sido modificada, influenciada e manipulada por pessoas que não admitem a descoberta de um caminho alternativo. Espero, inclusive, que o pensamento otimista que tento repassar neste livro seja capaz de contagiar você a permitir que, juntos, possamos trilhar os novos caminhos em busca de uma saída pra a humanidade.


NOTAS

[1] https://www.youtube.com/watch?v=Q7U7Q4fqEXI

[2] http://www.leonardoboff.com/site/vista/2008/maio09.htm

[3]  Influente médico, nutrólogo, professor, geógrafo, cientista social, político, escritor, ativista brasileiro que dedicou sua vida ao combate à fome.

[4] http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/documents/rc_pc_corunum_doc_04101996_world-hunger_po.html, Acessado em 20 de julho de 2013.

[5] Página 60, cântico 125.

[6] István Mészáros é um filósofo húngaro e está entre os mais importantes intelectuais marxistas da atualidade. Professor emérito da Universidade de Sussex, na Inglaterra, onde ensinou filosofia por 15 anos, anteriormente foi também professor de Filosofia e Ciências Sociais na Universidade de York, durante 4 anos.

[7] http://rio20.net/pt-br/documentos/injustica-geracional/, Acessado em 20 de julho de 2013.

 [8] http://g1.globo.com/concursos-e-emprego/noticia/2013/05/desemprego-atinge-734-milhoes-de-jovens-no-mundo-diz-estudo-da-oit.html, Acessado em 25 de julho de 2013.

[10] http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2886&sid=434

[11] Professor no IF/SP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo. Ver site http://outraspalavras.net/posts/sobre-marxismo-e-natureza-humana/

[12] http://outraspalavras.net/posts/o-mito-do-capitalismo-natural/

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